Hoje é 17 agosto 2022

O cidadão mineiro Padre Julio Lancellotti merece o Nobel da Paz

Não existe paz em meio à pobreza e à miséria! Portanto, acredito que se buscamos pacificar o mundo, devemos ter como prioridade o combate veemente às desigualdades. Nos últimos anos, por exemplo, aqui no Brasil, ninguém se dedicou tanto a essa missão como o padre Julio Lancellotti – um exemplo a ser seguido, principalmente por aqueles que, assim como eu, se reconhecem como cristãos.

Julio Lancelloti foi ordenado sacerdote em 1985, e desde então começou a trabalhar em prol das pessoas em situação de rua a quem estendeu as mãos: uma população marginalizada que vive abaixo da linha da pobreza, que passa fome, frio, que sofre humilhação quando pede ajuda e é invisível aos olhos da maioria. Também, já na década de 1990, o padre Julio fundou a Casa Vida para acolher crianças com vírus HIV e atuou também como professor. Nos últimos anos, tem se dedicado a acolher, principalmente, moradores de rua que são dependentes químicos. São a esses que o padre tem dedicado sua solidariedade.

Aos 73 anos, ele segue incansável e inabalável: continua percorrendo as ruas – de São Paulo – para levar comida e cobertores para as pessoas em situação de vulnerabilidade, abraça, acolhe, ouve, conversa, tratando a todos com dignidade. Nos dias frios, abriu a igreja para que moradores de rua pudessem dormir protegidos. E acreditem, por conta desse trabalho, sofre ataques e perseguições da extrema direita, bem como de fake News a ameaças de morte. E mesmo assim, esse grande homem não se abala e segue firme em sua missão.

No ano passado, o padre Julio virou manchete nos jornais ao aparecer com uma marreta nas mãos para quebrar pedras instaladas embaixo de viadutos na capital paulista, em resposta a uma ação higienista da prefeitura que buscava impedir que moradores de rua se abrigassem no local. Após a repercussão, a própria administração municipal terminou a retirada das pedras e o padre Julio, junto com um grupo de voluntários, encheu o espaço de flores.

Hoje, o Brasil tem 33 milhões de pessoas passando fome e mais de 17 milhões na extrema pobreza. Há, também, o número de desempregados que supera os 15 milhões, em que desses, mais de quatro milhões perderam as esperanças de conseguir um trabalho. Além disso, cerca de 20 milhões de brasileiros estão vivendo de bicos, muitos deles em situação de insegurança alimentar. Um país que retrocedeu 30 anos desde o golpe contra a Dilma e que teve a situação agravada no governo Bolsonaro.

Em meio a esse caos, o padre Julio segue dando exemplo. Durante a pandemia, ele não deixou de percorrer as ruas, mesmo sendo considerado do grupo de risco: usando máscara e luvas, ele manteve seu trabalho, defendeu a vacina, criticou a abertura de templos para a realização de missas e cultos enquanto os índices de contaminação pelo coronavírus estavam altos.

No ano passado, fiz um pedido de concessão de título de Cidadão Honorário de Minas Gerais ao padre Julio, em reconhecimento ao seu trabalho e dedicação aos que mais precisam, e acima de tudo pelo exemplo necessário que ele é. Nos últimos dias, o jornalista Jamil Chade divulgou carta aberta enviada à organização do Nobel da Paz e na publicação, defendeu que o padre Julio Lancellotti seja considerado para o prêmio deste ano. É justo e muito merecido. E portanto, Assino em baixo!

Espero que no final do ano possamos comemorar o primeiro Prêmio Nobel do Brasil, com o padre Julio Lancellotti. Estaremos muito bem representados!

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