Hoje é 21 novembro 2017

Comunidades tradicionais do Norte de Minas cobram regularização de terras

Joceli Andrioli (membro da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB),  Afonso Henrique de Miranda Teixeira (promotor de justiça coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Conflitos Agrários do Ministério Público do Estado de Minas Gerais), Cristiano Silveira (deputado estadual PT/MG),  André Sperling Prado (promotor de justiça, coordenador de Inclusão e Mobilização Sociais - CIMOS do Ministério Público do Estado de Minas Gerais),  Geraldo Vitor de Abreu (subsecretário de acesso à terra do Governo de Minas)

Cristiano participou de audiência em Grão Mogol. (Foto: Guilherme Dardanhan / ALMG)

Comunidades geraizeiras de Grão Mogol, Josenópolis e Padre Carvalho, no Norte de Minas, estão cobrando a regularização das terras onde vivem. O terreno de cerca de 230 mil hectares vem sendo reduzido por conta da exploração de eucalipto, carvão e mineração. Essas atividades econômicas são apontadas com responsáveis pelo desmatamento e a destruição de nascentes na região. Esse cenário vem prejudicando a produção de alimentos das famílias que moram na localidade.

Morador

Moradores querem regularização da terra. (Foto: Guilherme Dardanhan / ALMG)

Os geraizeiros povos que vivem no cerrado do Norte de Minas. Lá, eles colhem frutos e plantas medicinais, e também fazem o plantio em de milho, feijão, arroz, hortaliças, entre outros. Essa população começou a ser expulsa da região para dar lugar ao plantio de eucalipto. A atividade foi iniciada na região, nos anos 1970, em terrenos cedidos pelo Estado, dos quais os contratos já foram encerrados. Agora são terras devolutas. Em alguns casos, os empreendimentos foram feitos de forma irregular, ou seja, sem o licenciamento do Poder Público.

Geral

Dezenas de moradores participaram da reunião. (Foto: Guilherme Dardanhan / ALMG)

Na quinta-feira (1º/06/2017), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) visitou o Acampamento Alvimar Ribeiro (Grão Mogol) e a Comunidade Curral de Varas II (Padre Carvalho). O encontro serviu para ouvir as demandas e os problemas enfrentados pelos povos tradicionais da região. Ao todo, são cerca de 1.800 famílias, de 55 comunidades, que reivindicam a posse das terras.

Lourdes Francisco da Costa (moradora)

Moradores cuidam de gado e plantam na região (Foto: Guilherme Dardanhan / ALMG)

Os moradores alegam que as terras das comunidades foram reduzidas também pela chegada da Usina Hidrelétrica de Irapé, instalada em 2006. O uso de agrotóxicos por fazendeiros da região também é apontado como um problema, que tem provocado a contaminação do solo e das águas. Além dos desmatamento, as comunidades também relatam casos de violência e intimidação.

Comissão de Direitos Humanos

Várias famílias estão acampadas na região. (Foto: Guilherme Dardanhan / ALMG)

O deputado Cristiano Silveira disse que vai cobrar providências para o caso. “Sabemos que os geraizeiros têm o direito à terra. Vamos trabalhar junto ao Estado, para que possamos adotar medidas legais que venham dar fim aos conflitos na região. Queremos que seja garantida a segurança dessas famílias, para que elas possam manter seus costumes e tradições. São situações que se repetem em vários municípios e que precisam ser enfrentadas. Essa é uma pauta que vamos continuar defendendo na Assembleia”.

Posts Relacionados