Hoje é 14 junho 2021

ARTIGO: FALTA VACINA E SOBRA INCOMPETÊNCIA: Governo Zema deixa Minas de fora da produção de vacinas

Cristiano Silveira

Deputado estadual e Presidente do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais

 

A vacinação começou, mas, no ritmo atual, Minas Gerais levaria 5 anos para vacinar a população contra a Covid-19.  Para atingir 90% da população, cerca de 19 milhões de mineiros, e conseguir controlar a doença, são necessárias 38 milhões de doses da vacina, até hoje foram distribuídas apenas 735 mil. Não há outro caminho: é necessário e urgente o aumento da produção e oferta de vacinas.

Porém estamos longe disso. Por uma sequência de gafes que demonstraram clara falta de habilidade diplomática, de negociação e, talvez, de interesse, o governo de Minas perdeu a oportunidade de fechar uma parceria para produção da vacina do laboratório chinês Sinopharm. Se a negociação tivesse dado certo, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) – referência na produção e envasamento de vacinas – poderia estar produzindo em Minas Gerais um imunizante com 79% de eficácia comprovada.

Mas o que esperar de um governo que há quase um ano insiste em negligenciar o combate a pandemia? Ao longo de 2020 denunciamos a baixa testagem no estado e os casos subnotificados, evidenciados pelo crescimento exponencial das mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Foram dezenas de projetos, requerimentos, propostas e soluções apresentadas pelo legislativo e ignoradas pelo governo, que preferiu aguardar. Justamente quando Minas bate recorde no número diário de mortes por Covid-19, recebemos mais essa prova da negligência do governo de Minas Gerais.

A Funed tem experiência e know-how na produção de vacinas e já participa da fabricação de 18 milhões de doses contra a meningite, fornecidas anualmente ao Ministério da Saúde. Somado a isso, a Fundação possui um corpo qualificado de profissionais, tendo em seus quadros 64 doutores e 87 mestres em diversas áreas do conhecimento que podem ser chamados para dar respostas na produção, assim como já fazem na pesquisa e no diagnóstico laboratorial. Também não faltam recursos: segundo o Portal da Transparência, da receita total de R$1,5 bilhão em 2020, foram gastos apenas R$849,9 milhões – mesmo com a pandemia. Lamentavelmente, toda a receita própria da instituição, que deveria ser usada para reinvestimentos na própria Funed, fica no caixa único do tesouro estadual.

Um dos motivos para o fim da negociação com os chineses apontado pela imprensa, foi uma reunião marcada pelo governo de Minas no horário correspondente às 3 da manhã na China. Não é preciso ser diplomata para saber sobre a existência do fuso horário. Para um governo que se diz eficiente é um erro inadmissível que pode ter custado caro aos mineiros que aguardam pelas vacinas, ainda sem cronograma. Outro motivo teria sido a lentidão com que o governo Zema tratava as negociações, em desacordo com a urgência da empresa chinesa e do interesse do povo mineiro.

Já as desculpas do governo para o fiasco na negociação são simplistas e superficiais. Alegam à imprensa que a farmacêutica não apresentou dados sobre as fases finais da testagem, o que era de se esperar já que as tratativas incluíam participação do estado no processo de testes do imunizante. Também afirmam que a planta da Funed não é adequada, mesmo que ela já participe da produção de outras vacinas e tenha condições de, pelo menos, participar do envasamento, rotulagem e embalagem, o que já contribuiria para acelerar a produção no Brasil.

No mais, houve tempo de sobra para planejar, investir e adequar, como fizeram a Fiocruz e o Butantan, mas Zema preferiu esperar pelo governo Bolsonaro. Postura que mostra bem o que é a gestão Zema: um governo que fala que é diferente e eficiente, mas não é nada disso, é incompetente e ineficaz.

O mundo inteiro briga por vacinas e nós perdemos uma importante oportunidade. Por erros do governo Zema? Por falta de interesse? A bancada do PT de Minas e o bloco de oposição na Assembleia Legislativa (ALMG) quer saber e cobra explicações. A realização de uma audiência pública para dar transparência à condução do estado nessa questão tão fundamental para o momento que estamos vivendo é necessária e urgente. Não podemos nos contentar com respostas tão vagas, que não justificam o fato do governo Zema ignorar o potencial de uma fundação com a história, a experiência e a expertise da Funed. Minas Gerais tem universidades públicas dentre as mais conceituadas do país, que, se convocadas, poderiam dar respostas para esta e outras demandas. Já perdemos muito tempo, é preciso investir na produção desta que é nossa única esperança de um futuro com saúde e segurança para todos. Vacina já!

 

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